
DESEJOS
Quis ter uma varanda dourada,
com jarras no console,
recendendo a jasmim.
Quis ter um trenó de prata,
descendo as escarpas,
nas trilhas sem fim.
Quis o fraque de seda,
vistoso ao toque,
na valsa eterna,
e a bota de Sete Léguas,
de sete desejos,
a cobrir-me as pernas.
Quis o olhar angélico,
a palavra pura,
os lábios úmidos
de sabedoria,
mas, desperto e nu,
na várzea fria,
nem a cobertura
de um par de mãos
sensíveis.
Nunca mais
apostarei corrida
com os sonhos
impossíveis.
Vitório Sezabar

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