segunda-feira, 18 de janeiro de 2010


Encontro

Amo-te
para lá das fronteiras do teu corpo.

Dá-me
os espelhos e as alegres libélulas,
a luz e o vinho,
o céu alto e o largo arco da ponte.

Dá-me os pássaros e o arco-íris
e repete o último caminho na tua pintura.

Amo-te
para lá das fronteiras do meu corpo.
Ali, na distância,
onde se acaba a missão dos corpos,
o sossego da chama e a paixão, os latidos
e os desejos,
e cada sentido deixa o clichê das palavras
como a alma que abandona o cadáver
no final da viagem para que desapareça
no festim dos abutres.

Amo-te
para lá das fronteiras do amor,
para lá dos lenços e das cores.
Para lá dos nossos corpos,
promete-me um encontro.

Ahmad Shamlú

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